Essa noite assisti parte do programa “A Liga” (http://www.band.com.br/aliga/conteudo.asp?ID=357478), apresentado por Rafinha Bastos, na Band. Não sei quem de vocês já assistiu. Os temas abordados são contundentes e atuais. Ontem fiquei realmente muito chocada. Falou-se sobre drogas. Pessoas viciadas, em diversos segmentos sociais, das baladas de classe média paulistana à “Cracolândia”. Homens e mulheres, jovens e de meia-idade, negros, brancos, pardos. Tudo isso permeado por informações precisas de pessoas como perito criminal, ex-juíza, sociólogo, psicólogo, policial, familiares, ex-usuário, etc. Opiniões favoráveis e contrárias.
Dos entrevistados, usuários das drogas, apenas um não mostrou o rosto. Segundo ele porque tem receio da repercussão no ambiente de trabalho, visto que tanto ele quanto a esposa usam cocaína. A droga está presente no orçamento doméstico do cidadão. Ou seja: parte do que recebe o casal é destinado à droga, mensalmente.
Foi um programa sério, sem sensacionalismo, sem pieguice, sem falsos pudores. Mas, acima de tudo, muito doloroso. Alguns sustentam a liberação, outros a regulamentação, outros tantos a repressão. Entre os usuários duas vertentes: uns que adoram, enquanto há aqueles que apresentam desespero e total submissão ao vício. Pessoas que perderam tudo - família, emprego, dignidade - moram na rua, passam dias dopados, roubam para comprar mais drogas, reviram sacos de lixo nas esquinas em busca de restos de alimento. Esperam a morte ou curtem “na brisa” (gíria que significa o espaço de tempo em que sentem o efeito geralmente eufórico do crack e da cocaína).
Cada entrevistado com sua história. Um rapaz, perguntado por que começou a usar drogas afirmou que “apanhava do pai”. Isso o revoltou, saiu para as ruas e daí para o vício foi um pulo. Já outro disse que o pai dava tudo: carro, viagens internacionais, faculdade particular, uma boa mesada. Virou traficante e foi preso no aeroporto de Lisboa. Hoje, segundo ele, está recuperado. Escreveu um livro relatando sua história (não sei como, porque fala errado que doi!).
Enfim, durante a exibição do programa, fiquei muito pensativa e refletindo sobre meus filhos. Tive medo. Um medo racional e aflitivo. Não quero jamais que eles enveredem por esse caminho. A dúvida fica presente em mim. Como educar para evitar que nossos filhos se envolvam com essas drogas? Qual o ponto de equilíbrio? O que fazer?
Acho que não existe receita. Explicações, conversas francas, educação, observação, fé em Deus? Não sei. Lamentável.
Eu não estou muito bem e esse programa me deixou um pouco mais deprê...
Adilma












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